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2 de diciembre de 2011 | | | |

“Já temos 20 anos de COPs”

Entrevista com ativista ambiental brasileira: as negociações do Clima e Rio+20

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Dezenas de pessoas se mobilizaram na quinta-feira perto da XVII Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Durban, África do Sul, para pedir que o Banco Mundial fique fora do financiamento climático internacional.

A ação foi convocada pela rede internacional Jubileu Sul, a federação ambientalista Amigos da Terra Internacional e a Aliança Panafricana de Justiça Climática. Os manifestantes aproveitaram a instância para denunciar que Estados Unidos, Reino Unido e Japão estão procurando fazer com que as corporações transnacionais e financeiras tenham acesso direto ao financiamento do Fundo Verde para o Clima. Assim, manifestaram-se ontem mais de 160 organizações da sociedade civil de 39 países através de uma carta aberta.

O Fundo Verde para o Clima foi criado na COP XVI, realizada em dezembro do ano passado em Cancún, México. Neste ano começaram as tratativas para definir sua conformação e controle. “Está se transformando em uma janela” a favor das corporações transnacionais, denunciou à Rádio Mundo Real a ativista Lucia Ortiz, da organização NAT – Amigos da Terra Brasil. “O que está em jogo hoje nas negociações é a abertura de mais espaços, mais fundos de financiamento para as corporações transnacionais que causaram o problema da mudança climática”, acrescentou.

Conforme a ambientalista, o Fundo Verde para o Clima “foi colocado nas mãos do Banco Mundial”. Contou que Amigos da Terra Internacional sempre exigiu que o fundo não fosse controlado por esse banco, mas que estivesse dentro do marco das Nações Unidas e com recursos públicos e adicionais a cooperações e ajudas que já existem. Para Lúcia, o Fundo Verde para o Clima deve dar “soberania aos países que recebem esses recursos para decidir como aplicá-los, seja na adaptação, mitigação ou na proteção das comunidades que estão vivendo de forma sustentável”.

A ativista brasileira lamentou já termos “20 anos de COPs” e “cada vez damos passos mais atrás”, em um processo que ela chamou de “‘financierização’ da natureza”. “O Banco Mundial e o setor financeiro internacional procuram se capitalizar a partir da comodificação dos bens comuns”, avaliou Lúcia.

No fim da entrevista Lúcia falou sobre a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada em 2012 no Rio de Janeiro, a 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada na mesma cidade. Por isso é que a conferência do ano que vem sendo conhecida comumente com o nome do Rio+20.

“O grande tema dessa conferência é o do capitalismo verde”, disse Lúcia Ortiz à Rádio Mundo Real. O Brasil está disposto a se engajar em “processos que possam criar a arquitetura (legal) para legitimar o capitalismo como verde”, acrescentou a ativista. “Nosso país nunca teve tantos projetos de leis ambientais, que são uma corrida pela mercantilização da natureza e para pintar de verde o capitalismo nesta nova fase, que é de apropriação dos bens comuns”, explicou.

Para Lúcia, os movimentos sociais brasileiros têm o desafio de tentar bloquear essa mercantilização da natureza, de resistir no âmbito das políticas domésticas para que sejam garantidos os direitos das comunidades.

Por outro lado, a ambientalista destacou que “estamos trabalhando em mobilização, educação popular”, para que as pessoas resistam esta nova fase de apropriação do capitalismo. Destacou a resistência de alguns grupos no Brasil, por exemplo os pescadores artesanais, e reivindicou as bandeiras da “economia solidária, feminista, da reforma agrária e da agroecologia”, que considerou “soluções dos povos”.

“Nosso desafio é mobilizar esses diversos grupos e criar um choque de paradigma real a essa suposta conferência pelo desenvolvimento sustentável, que na verdade é pelo capitalismo verde”, resumiu Lúcia.
Assista abaixo ao vídeo com a entrevista em português com Lúcia.

Foto: http://www.flickr.com/photos/foei

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