O que você vê é um arquivo histórico.
Pedimos voluntários para trabalhar com a nova tradução na web.

{mini}Versão para imprimir

English · Español · Português

24 de Janeiro de 2012 | |

Contra hegemônicas

A resistência à economia verde se fortalece: entrevista com a Coordenadora Internacional dos Amigos da Terra

00:00
00:00 | 00:00

Baixar: MP3 (31.5 Mb)

Nesta terça-feira está acontecendo em Porto Alegre, no Brasil, um seminário chamado “Rumo ao Rio+20: Por uma nova economia”, que procura denunciar as apostas governamentais e empresariais pela “economia verde” e vislumbrar as alternativas de movimentos e organizações sociais.

As atividades começaram na segunda-feira e estão sendo realizadas de forma independente ao Forum Social Temático (parte do processo do Forum Social Mundial), que começou na terça-feira na mesma cidade. A Radio Mundo Real entrevistou Lucia Ortiz, coordenadora do Programa de Justiça Econômica e Resistência ao Neoliberalismo da organização ambientalista Amigos da Terra Internacional. Ortiz é também integrante do Núcleo - Amigos da Terra Brasil, uma das organizações que organizam o seminário.

Outras organizadoras desta atividade são: a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a associação para a Agricultura Familiar e a Agroecologia (AS-PTA), Núcleo – Amigos da Terra Brasil, FASE Solidariedade e Educação, e Sempre-viva Organização Feminista (SOF). Participam do seminário, grupos internacionais como organizações dos Amigos da Terra de vários países latino-americanos, da rede de Justiça Climática Agora e o Grupo ETC.

“O seminário tem como objetivo somar esforços na construção de um diagnóstico crítico da economia verde e do contexto em que se realizará o Rio+20”, assim dizia a chamada. Em seguida, citava que o objetivo é “fortalecer um campo de organizações e movimentos sociais que possam, através de seu acúmulo de experiências, reflexões e práticas contra hegemônicas, contribuir para a construção da resistência às teses dominantes e para o fortalecimento de alternativas”.

Entre estas alternativas, aparecem a economia solidária, feminista, a reforma agrária e a agroecologia. Ortiz explicou a Radio Mundo Real que há uma “imposição de um falso consenso da economia verde” antes mesmo da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. Esta cúpula será realizada em junho no Rio de Janeiro, Brasil, 20 anos após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento realizada na mesma cidade. Por isso a conferência deste ano chama-se “Rio+20”.

O seminário que termina esta terça-feira em Porto Alegre buscou colocar um “contraponto”, segundo Ortiz, às tentativas de regulamentação e legislação “para a comercialização da natureza”. Na verdade, o governo brasileiro é um dos que mais tem avançado nesta matéria. O Brasil está disposto a se cercar de “processos que possam criar a arquitetura (legal) para legitimar o capitalismo como verde”, disse Ortiz a Radio Mundo Real em uma entrevista feita em dezembro. O gigante país sul-americano tem numerosos projetos de leis ambientais, que são como uma “corrida para a comercialização da natureza e para pintar de verde o capitalismo nesta nova fase, que é de apropriação dos bens comuns”, explicou Ortiz nessa ocasião.

Na conversa desta terça-feira a ativista disse que os movimentos e as organizações sociais de diversas partes do mundo presentes no seminário de Porto Alegre buscam levantar alternativas vindas das comunidades e outras maneiras de aumentar a atividade econômica além das que “já existem”. Além disso, esses agrupamentos reivindicam “outras formas de organização que surgem da resistência aos grandes projetos como as monoculturas e a as falsas soluções”. Entre essas falsas soluções Ortiz destacou a comercialização das florestas, o mercado de carbono e os agrocombustiveis, e as qualificou como “novas formas de acumulação do capitalismo” e “instrumentos da economia verde”.

O seminário “Rumo a Rio+20: Por outra economia” é realizado de forma independente ao Forum Social Temático porque existem algumas diferenças importantes na percepção das estratégias de lutas entre os grupos organizadores.

Segundo Ortiz nos explicou, os organizadores e participantes do seminário desta segunda-feira e terça-feira, que trabalham juntos há muitos anos, consideram que o capitalismo é a principal causa estrutural das crises mundiais da atualidade e tem na sua atuação um forte enfoque anti-sistêmico. Promovem soluções reais e integrais que enfrentem essas causas estruturais, em contrapartida a uma visão “fragmentada” da realidade. A postura reivindicada por Ortiz defende por sua vez, posições dos movimentos e das parcelas sociais que travam as lutas concretas nos territórios contra os projetos desenvolvimentistas do capitalismo verde. Assim se entende, por exemplo, a aliança estratégica da própria organização Amigos da Terra com a Via Campesina (rede internacional de organizações camponesas) e o apoio contínuo dessa federação ambientalista a diversas organizações de pescadores, feministas, sindicatos, trabalhadores rurais, pequenos produtores, indígenas, entre vários outros grupos.

Ortiz destacou que é “muito importante” falar de alternativas que estejam a serviço de “mudar o sistema” e não de “complementá-lo”, e identificar essas “sementes” para fortalecê-las para que sejam uma real “ameaça” a esse sistema.

Foto: REDES – Amigos da Terra Uruguai

(CC) 2012 Radio Monde Réel

mensagens

Quem é você? (opcional)
A sua mensagem

este formulário aceita atalhos SPIP [->url] {{bold}} {itálico} <quote> <code> e o código HTML <q> <del> <ins>. Para criar parágrafos, deixe linhas vazias.

Fechar

Amigos de la Tierra International

Agencia NP

Rádio Mundo Real 2003 - 2018 | Todo material publicado aqui está sob licença Creative Commons (Atribuição - Compartilhamento pela mesma Licença). O site está construído com Spip, software livre especializado em publicações web... e feito com carinho.