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6 de marzo de 2014 | | | |

A ação como única garantia de conquistas

Balanço do VI Congresso do MST com Itelvina Masioli, liderança nacional do MST

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Um processo que levou mais de dois anos e meio de trabalho, e que teve como ponto alto um encontro com vários milhares de camponesas e camponeses de todo o Brasil. “Um processo que não começou agora, e que tampouco termina aqui”. Assim foi como definiu o VI Congresso do Movimento dos Sem Terra (MST), Itelvina Massioli, dirigenta nacional deste referente em nível internacional da luta popular pela terra, a reforma agrária e a Soberania Alimentaria.

Neste programa especial da Rádio Mundo Real, a dirigenta avaliou que este congresso “conseguiu marcar uma nova etapa em nossa luta pela terra e nossa lucha de classes em general”. “O balanço é muito, mas muito positivo”, disse Itelvina ao começar a conversa.

Crescente protagonismo das mulheres

Nos últimos anos, a agenda feminista, sob a bandeira do feminismo campesino e popular, tem se instalado com força nos movimentos camponeses da América Latina. Isto ocorre junto com uma assunção cada vez maior de papéis políticos das camponesas: “Podemos falar de um avanço no protagonismo político das mulheres sem terra na construção do movimento nestes 30 anos, mas sobretudo na luta política, na luta pela terra e pela reforma agrária”, disse a dirigenta.

No que diz respeito ao congresso, a participação não se reduziu a uma questão de presenças e/ou números: “Garantimos desde todos os estados, uma forte participação das mulheres, mas não somente em termos de percentagens. Nós mulheres, estivemos conduzindo o processo e o próprio desenvolvimento do congresso, onde muitas de nossas companheiras estiveram intervindo nas diferentes mesas e momentos de nosso congresso”.

Outro ponto que destacou foi que o debate sobre o papel político da mulher, não foi realizado em um espaço separado, mas sim na plenária do congresso com os mais de 15 mil participantes: “garantir e fortalecer a participação das mulheres não é uma tarefa exclusiva das mulheres, tem que ser uma decisão política do conjunto do MST. Este compromisso em nosso congresso vai potencializar o protagonismo das mulheres em todo o país”.

A unidade na prática

Em Brasilia estiveram presentes 200 militantes, intelectuais, “lutadores
e lutadoras de todo o mundo”, provenientes de 27 países. Além disso, participaram os outros movimentos que compõem a Via Campesina Brasil, representantes de movimentos indígenas, quilombolas, centrais sindicais e movimentos de mulheres.

“Falar de unidade é muito simples no discurso, mas é o exercício desta construção o que representa um desafio. Não vamos avançar, se não levarmos a cabo um processo de construção de uma forte aliança que envolva todos os atores políticos do campo e da cidade. Devemos encontrar em nossas lutas os pontos que nos unem”, afirmou a liderança camponesa em relação aos aliados que fizeram parte do VI Congresso do MST.

Assim como aconteceu com o encontro em geral, Itelvina destacou: “O congresso demonstrou a capacidade de juntar as forças de esquerda, os movimentos sociais populares, sindicais, de diferentes igrejas, consolidando e fortalecendo um processo de construção de alianças que não acontece recém no congresso. O Congresso vai sedimentando este processo, mas trata-se de uma construção de muitos anos, das ações de formação, com as mulheres, com os jovens. Temos que cultivar cada dia nas ações concretas esta nossa capacidade de ir agregando os distintos setores e atores políticos para que se fortaleça a luta de classes, a luta pela terra, pela soberania alimentar, contra este modelo do capital e do império”.

“O abril mais vermelho da história do Brasil”

Na manhã do dia seguinte ao qual o movimento realizou uma grande marcha pelas ruas de Brasília, vários dirigentes estavam reunidos coma presidenta Dilma Rousseff. Haviam passado três anos desde que o MST pediu uma reunião como esta com a sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas a dirigenta esclarece: “nos marcos deste congresso nenhum pedido de encontro com presidenta foi feito. Esta reunião é o resultado de ter deixado Brasília vermelha”, referindo-se à marcha e ato em que participaram mais de 16 mil integrantes do movimento.

No fim do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Ministério de Desenvolvimento Agrário, promoveram a aplicação da Medida Provisória da Reforma Agrária, uma política que permite, entre outras coisas, a titulação de terras para as famílias assentadas.

Na reunião com a presidenta, as lideranças alertaram sobre o risco que representa esta medida. Segundo Itelvina, trata-se de “um mecanismo que denominamos privatização das terras da reforma agrária”.

Este ponto da reunião foi um dos que destacou a dirigenta : “Explicamos isto, e a presidenta mostrou-se muito desinformada sobre o caso; e assumiu o compromisso público de reverter esta situação. Nós o que reivindicamos não é o titulo da terra, mas sim o direito a seu uso”.

No entanto, para além do encontro com Rousseff, a militante expressou que a resolução do movimento tanto a partir da reunião, como logo de terminado o Congresso, é de “sair com o compromisso de reforçar nossa luta, de fazer o abril mais vermelho da história do Brasil”. O Abril vermelho é o mês de mobilizações realizado pelo MST, com o qual lembra o massacre de camponeses em Eldorado dos Carajás em 1996, no estado do Pará.

“Potenciaremos as ocupações de terras, as marchas, as ações concretas. Isto é a garantia de que tenhamos conquistas reais”, conclui Itelvina Massioli.

Imagen: http://www.fup.org.br/

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